Namoro

Estás a ser vítima de violência no namoro?

O teu/tua namorado/a recorre a comportamentos, de propósito, para te controlar e dominar. Ele/a quer ter mais poder na relação e sentes que os teus direitos são, muitas vezes, violados.

Violência psicológica

  • Insulta-te, grita;
  • Humilha-te, faz com que te sintas mal contigo próprio/a;
  • Ameaça-te, faz com que sintas medo das reações dele/a;
  • Insiste em saber com quem estás, liga-te ou envia-te mensagens constantemente;
  • Controla ou tenta controlar tudo aquilo que fazes ao longo do dia;
  • Ameaça terminar a relação quando expões o teu desconforto na relação;
  • Manifesta ciúmes de amigos/as, colegas ou familiares;
  • Controla ou tenta controlar a forma como te vestes e maquilhas;
  • Pressiona-te para teres uma determinada imagem (ex. para fazeres dieta);
  • Parte os teus objetos pessoais (ex. telemóvel) para mostrar o seu poder;
  • Fica amuado/a em silêncio;
  • Ameaça suicídio quando tentas falar sobre os problemas da relação;
  • Tenta convencer-te que vais ficar sozinha se terminares a relação.

Violência social

  • Faz-te cenas, humilha-te, envergonha-te e/ou tenta denegrir a tua imagem junto dos teus amigos/as e familiares;
  • Pressiona-te para aceder ao teu telemóvel, e-mail, conta de Facebook ou outras redes sociais ou acede sem a tua permissão;
  • Pressiona-te ou proíbe-te de estares com os teus amigos/as ou familiares;
  • Usa a desculpa de sentir ciúmes para te afastar e isolar da tua rede de amigos e familiares.

Violência sexual

  • Acaricia-te, impõe-te contactos físicos, beija sem a tua permissão (ex. forçar beijos em público);
  • Pressiona-te ou força-te a ter práticas sexuais que não desejas (sexo anal, sexo oral e/ou vaginal).

Violência física

  • Agarra-te ou prende-te;
  • Atira-te objetos;
  • Encosta-te contra a parede;
  • Empurra-te;
  • Dá-te bofetadas, pontapés e/ou murros;
  • Ameaça bater-te.

Fica atento/a:

Estes e outros comportamentos são apenas alguns exemplos dos que ocorrem numa relação de namoro na qual existe violência. A violência pode assumir diversas formas, sendo que a física pode ocorrer ou não, em paralelo com os outros tipos de violência. Mas todas elas são formas de violência!

Deixa-te de cenas:

Violência é incompatível com amor! Nada a justifica, muito menos os ciúmes!

Numa relação saudável há:

  • RESPEITO pelas opiniões de cada um;
  • CONFIANÇA, mesmo que haja opiniões, comportamentos ou gostos diferentes;
  • APOIO e entreajuda;
  • SEGURANÇA e partilha;
  • HONESTIDADE e convivência sem julgamentos, manipulações ou insinuações;
  • RESPONSABILIDADE e consciência pelos próprios comportamentos e atitudes;
  • LIBERDADE pessoal, sem invasões ao espaço do outro;
  • CONFLITOS E DESENTENDIMENTOS, que se resolvem através da NEGOCIAÇÃO e da procura conjunta de soluções, recusando sempre a violência;
  • Algum CIÚME, sem nunca o utilizar como desculpa para agredir, magoar, assustar ou humilhar a outra pessoa.

Penso que há violência na minha relação de namoro, e agora?

Não percas mais tempo!
Procura ajuda, existem vários serviços especializados capazes de te esclarecer e apoiar para lidar com relações abusivas e a construir relações de namoro saudáveis.
O apoio prestado é confidencial, gratuito e podes ver as tuas dúvidas e preocupações esclarecidas de imediato.

Lembra-te é normal que te sintas:

  • Confuso/a;
  • Com vergonha de pedir ajuda a amigos, familiares, entidades competentes;
  • Que tenhas medo das reações do/a teu/tua namorado/a;
  • Que acredites que as coisas vão mudar;
  • Que gostes do/a teu/tua namorado/a e que há muitas coisas que não compreendas.

Mas isso pode mudar!

A violência no namoro é qualquer comportamento numa relação afetiva que cause sofrimento físico, psicológico, sexual ou social a uma das pessoas envolvidas. Pode manifestar-se através de agressões, intimidação, humilhação, manipulação, controlo excessivo, restrição da liberdade ou exclusão de relações sociais. Este tipo de violência não depende da coabitação ou do casamento e pode ocorrer em relações heterossexuais ou homossexuais.

Trata-se de uma forma de violência doméstica e é considerada crime público, reconhecida pelo enquadramento legal como grave e passível de sanção. A lei prevê mecanismos para proteger as vítimas e assegurar que possam recorrer a apoio, medidas de segurança e justiça, independentemente do contexto da relação.

A violência no namoro pode ter consequências profundas na vida da vítima, afetando a saúde física e psicológica, a autoestima, a autonomia e a capacidade de estabelecer relacionamentos saudáveis no futuro. Muitas vezes, estas situações estão ligadas a relações desiguais e estereótipos de género, que normalizam comportamentos abusivos e dificultam o reconhecimento da violência.

Reconhecer os sinais de alerta, promover relacionamentos baseados no respeito, na igualdade e na confiança e garantir que existem recursos de apoio disponíveis são passos essenciais para prevenir a violência e apoiar as vítimas, permitindo que os jovens construam relações afetivas seguras e saudáveis.

Como se trata de um crime público, qualquer pessoa pode e deve fazer a denúncia.

Junto das autoridades policiais:

  • Polícia de Segurança Pública (PSP);
  • Guarda Nacional Republicana (GNR);
  • Polícia Judiciária (PJ);

ou

  • No Tribunal - Ministério Público;
  • No Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (gabinetes médico-legais);
  • Através do portal de queixa eletrónica do Ministério da Administração Interna.

A investigação científica mostra que a violência no namoro é um problema real e significativo, que afeta jovens em todo o mundo. Estudos internacionais indicam que uma proporção considerável de jovens já experienciou algum tipo de violência em relações afetivas, variando entre cerca de 20% e 60%.

Em Portugal, pesquisas com jovens do ensino secundário, profissional e superior revelam que cerca de um em cada quatro jovens já foi vítima de violência no namoro. Estes estudos mostram também que alguns jovens reconhecem ter sido autores de comportamentos abusivos, principalmente de violência emocional e física, evidenciando a necessidade de prevenção e educação para relações saudáveis.

Além disso, muitas atitudes que configuram violência continuam a ser normalizadas ou minimizadas, como pressionar para relações sexuais, controlar a vida social do/a parceiro/a, aceder ao telemóvel ou proibir o/a namorado/a de vestir certas roupas. Estes comportamentos refletem estereótipos de género e relações desiguais, que tornam a violência muitas vezes invisível e socialmente aceitável.

Reconhecer os sinais de violência e promover relacionamentos baseados no respeito, confiança e igualdade é essencial para prevenir abusos e apoiar jovens a construírem relações afetivas saudáveis.

As vítimas de violência no namoro apresentam maior propensão para:

  • Sofrer de depressão e de ansiedade;
  • Distúrbios alimentares;
  • Stress pós-traumático;
  • Apresentar insucesso escolar;
  • Adotarem comportamentos sexuais de risco;
  • Enveredar pelo consumo de álcool e/ou outras drogas;
  • Maior risco de vitimação posterior, constituindo a violência no namoro um preditor da violência conjugal.

O que fazer em caso de agressão?

  • Gritar;
  • Pedir ajuda;
  • Procurar auxílio junto de familiares, amigos, vizinhos ou autoridades;
  • Dirigir-se a um hospital para ser observado/a;
  • Apresentar queixa-crime;
  • Pedir a ajuda de instituições especializadas nesta área.

Quando pretenderes terminar a relação abusiva:

Cuidados a adotar:

  • Escolher um local público ou um lugar onde estejam mais pessoas;
  • Levar contigo algum amigo/a ou outra pessoa em quem confies que se mantenha por perto;
  • Não confrontar o/a teu/tua namorado/a, nem reagir com violên

É importante:

Estares preparado/a para eventuais reações negativas, impulsivas e agressivas. Se acontecerem, não respondas com violência e afasta-te do local onde te encontras;

Prepara-te para a possibilidade de o/a teu/tua namorado/a te contactar para pedir desculpas ou tentar uma reconciliação. Se isso acontecer, não respondas, nem recues na decisão que tomaste.

O fim da relação não significa o fim da violência, é mais seguro:

  • Mudar o número de telemóvel;
  • Mudar de e-mail;
  • Mudar a fechadura do cacifo da escola;
  • Procurar caminhos alternativos para os locais que habitualmente frequentas;
  • Procurar andar acompanhado/a;
  • Falar da situação com pessoas de confiança que possam apoiar-te em situações de emergência;
  • Manter um diário sobre as situações de violência que ocorreram;
  • Gravar no telemóvel os contactos necessários em caso de emergência (112, polícia local, pessoa de confiança).

Se souberes que alguém é vítima:

  • Mostra-te disponível para ouvir;
  • Ouve sem julgar;
  • Disponibiliza-te para apoiar;
  • Encoraja a pessoa a procurar ajuda especializada e/ou apresentar queixa.
  • 144 – Linha Nacional de Emergência Social (gratuito)
  • 112 – Número Nacional de Emergência (gratuito)
  • 800 202 148 – Serviço de Informação a Vítimas de Violência Doméstica (disponível 24h gratuito)
  • APAV - Associação Portuguesa de Apoio à Vítima - www.apavparajovens.pt
  • CIG - Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género - www.cig.gov.pt
  • Centro Social e Cultural de Vila Praia de Âncora - Centro de Atendimento a Vítimas de Violência Doméstica - www.cscvpa.pt
  • Gabinete Atendimento à Família - Núcleo de Atendimento a Vítimas de Violência Doméstica - www.www.gaf.pt
Saída de Emergência