Os dispositivos digitais fazem parte da vida das crianças e dos jovens. Permitem aprender, comunicar, brincar e explorar o mundo. O desafio não está na tecnologia em si, mas na forma como a utilizamos e como está integrada na rotina familiar.
A evidência científica demonstra que os pais desempenham um papel fundamental na construção de hábitos digitais saudáveis1. Mais do que impor restrições, é importante ensinar a utilizar os ecrãs de forma consciente, equilibrada e adequada à idade. É essencial que os pais acompanhem a utilização, conversem sobre os conteúdos, estabeleçam regras consistentes e promovam um equilíbrio entre o mundo digital e outras experiências essenciais ao desenvolvimento2,4.
Um consumo digital consciente implica: escolher conteúdos adequados à idade e com valor educativo, reservar momentos do dia sem ecrãs, incentivar atividades físicas, brincadeiras, leitura e convívio, conversar sobre segurança, privacidade e comportamento online e, sobretudo, dar o exemplo através de uma utilização saudável da tecnologia1,4.
Quando o uso dos ecrãs ocupa o lugar do sono, da atividade física, do convívio presencial ou de outras experiências importantes para o desenvolvimento, pode aumentar o risco de consequências negativas para o bem-estar físico, emocional e social5,6. É importante lembrar que passar algumas horas em frente a um ecrã não significa, por si só, que exista dependência das tecnologias. No entanto, quando a utilização se torna difícil de controlar e começa a interferir com a escola, atividades extra-curriculares, o tempo em família ou com amigos, ou outras áreas da vida, pode estar presente um comportamento problemático que merece atenção3, 1.
Educar para um consumo digital consciente é ajudar crianças e jovens a desenvolverem uma relação saudável com a tecnologia, aproveitando os seus benefícios sem comprometer o seu desenvolvimento, bem-estar e qualidade de vida.
Foi também esta reflexão que esteve no centro do desafio Click Consciente, desenvolvido no âmbito do projeto (A)TUA FAMÍLIA: Challenge Edition. Ao longo desta experiência, as famílias foram convidadas a refletir sobre a responsabilidade digital e a importância de adotar comportamentos seguros e conscientes no mundo online.
A família tem um papel fundamental nesta aprendizagem! Mais do que impor restrições, é importante acompanhar a utilização dos ecrãs, conversar sobre os conteúdos, estabelecer regras consistentes e ensinar as crianças e os jovens a reconhecer os riscos associados à segurança, à privacidade e aos comportamentos online.
Referências:
1-
American Psychological Association. (2019). Digital guidelines: Promoting healthy technology use for children. 2-
American Psychological Association. (2023). Health advisory on social media use in adolescence. American Psychological Association. 3- Domoff, S. E., Borgen, A. L., Radesky, J. S., Lumeng, J. C., Miller, A. L., & Rosenblum, K. L. (2019). Development and validation of the Problematic Media Use Measure. Psychology of Popular Media Culture, 8(1), 2–11.
4- Ordem dos Psicólogos Portugueses. (2025). Orientações para a utilização de ecrãs e tecnologias nas escolas. Lisboa: Ordem dos Psicólogos Portugueses.
5- World Health Organization. (2019). Guidelines on physical activity, sedentary behaviour and sleep for children under 5 years of age.
6-
Ricci, R. C., Paulo, A. S. C., Freitas, A. K. P. B., Ribeiro, I. C., Pires, L. S. A., Facina, M. E. L., Cabral, M. B., Parduci, N. V., Spegiorin, R. C., Bogado, S. S. G., Chociay Junior, S., Carachesti, T. N., & Larroque, M. M. (2022). Impacts of technology on children's health: a systematic review. Revista paulista de pediatria : orgao oficial da Sociedade de Pediatria de Sao Paulo, 41, e2020504.
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