Sabia que … Pornografia na adolescência preocupa especialistas e levanta debate sobre educação sexual

24-07-2026 15:48 | 6 horas atrás
Sabia que o acesso precoce à pornografia entre adolescentes tem vindo a aumentar significativamente nos últimos anos, impulsionado pela facilidade de acesso à internet e dispositivos digitais?
Os Especialistas alertam para as consequências do acesso precoce a conteúdos adultos, nomeadamente problemas ao nível da saúde mental, do desenvolvimento emocional e da forma como os jovens constroem a sua visão sobre a sexualidade, reforçando a necessidade do diálogo entre as famílias, as escolas e os jovens sobre o uso responsável da internet e sobre a educação sexual baseada em informação fiável. É fundamental que os pais, os educadores e os profissionais conversem abertamente com os adolescentes sobre temas como respeito, consentimento, autoestima, emoções e relações saudáveis.
A investigação recente revela que a exposição à pornografia ocorre, em muitos casos, durante a pré-adolescência. Diversos estudos apontam que o primeiro contacto acontece frequentemente antes dos 13 anos, existindo uma proporção significativa de jovens que relata uma primeira exposição antes dos 10 anos, muitas vezes de forma não intencional. Essa exposição precoce ocorre, muitas vezes, sem qualquer mediação ou contexto educativo o que pode levar a interpretações distorcidas sobre a realidade e as relações afetivas e sexuais. O consumo deste tipo de conteúdos durante esta fase de vida está associado a diversos riscos, destacam-se a distorção da imagem corporal (expectativas irreais sobre o próprio corpo e o dos outros); a dessensibilização (a necessidade de conteúdos cada vez mais extremos para obter a mesma resposta emocional) e ainda dificuldades relacionais (problemas em estabelecer ligações genuínas e saudáveis fora do ecrã).
Apesar destas preocupações, os investigadores sublinham que o tema deve ser abordado com equilíbrio. Pois nem todos os jovens que contactam com pornografia desenvolvem problemas, sendo determinante o contexto, a frequência de consumo e, sobretudo, o acompanhamento por parte de adultos e educadores.
Perante este cenário, cresce o consenso entre especialistas sobre a necessidade de reforçar a educação sexual nas escolas e no seio familiar. A promoção de uma abordagem aberta, informada e adequada à idade é apontada como uma das principais ferramentas para ajudar os adolescentes a interpretar criticamente os conteúdos a que estão expostos e a desenvolver uma vivência saudável da sexualidade. A solução não passa apenas pela proibição ou pelo uso de filtros de controlo parental — que, embora úteis, são facilmente contornáveis. O caminho mais eficaz parece ser a literacia digital e a educação sexual abrangente, tocando em temas como o respeito, a autoestima, as emoções e as relações saudáveis.
É importante reforçar que falar sobre sexualidade ajuda a prevenir desinformação e promover o bem-estar nos adolescentes.

Bibliografia:
UNESCO (International Technical Guidance on Sexuality Education); Peter, J. & Valkenburg, P. M. (2016). Adolescents and Pornography: A Review of 20 Years of Research; Children's Commissioner for England (2023). A Lot of It Is Actually Just Abuse.
WHO Regional Office for Europe & BZgA (2010; rev. 2020). Standards for Sexuality Education in Europe.
Children's Commissioner for England (2023). A Lot of It Is Actually Just Abuse: Young People and Pornography.
Children in a Digital World | UNICEF
Novos usos, novos riscos? direitos digitais de crianças e jovens | Eu kids online

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