Num mundo repleto de estímulos, os pais são frequentemente levados a crer que devem proporcionar às crianças uma aprendizagem constante, ocupando todos os seus tempos livres. Contudo, cresce o reconhecimento da importância do tédio como um sinal de alerta do cérebro para motivar a busca por experiências mais ricas.
Segundo a psicóloga Erin Westgate, existe um estigma cultural associado ao tédio. Ainda assim, sabe-se que, em doses moderadas, ele oferece às crianças a oportunidade de estimular a criatividade, a autonomia, a tolerância à frustração e a resolução de problemas. Além disso, impulsiona-as a procurar atividades que considerem verdadeiramente significativas.
Investigadores apontam que o simples ato de deixar as crianças brincar espontaneamente na natureza permite-lhes aprender sobre a fauna e a flora, praticar atividade física simples e aprender a valorizar o meio ambiente. Potencia também o prazer de relaxar. Sentir tédio não tem de ser algo negativo, pois é a base para desenvolver a capacidade de improviso.
Numa era em que ecrãs são usados instantaneamente por adultos e crianças para anestesiar o vazio, urge normalizar este sentimento e explorá-lo como um motor de competências essenciais e hoje tão negligenciadas.
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