Sabia que o respeito pelos monumentos e sítios começa a ser construído na infância?

17-04-2026 10:20 | 16 horas atrás
O Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, celebrado a 18 de abril, é um convite a olhar para o património que nos rodeia — não apenas como vestígios do passado, mas como partes vivas da nossa identidade coletiva. No entanto, a forma como valorizamos esses espaços não surge por acaso. Tal como o respeito por tantas outras dimensões da vida, também este começa na infância.
É desde cedo que aprendemos a observar, a questionar e a atribuir significado ao que vemos. Quando uma criança visita um monumento, passeia por um centro histórico ou ouve histórias sobre lugares antigos, não está apenas a adquirir conhecimento — está a construir uma ligação emocional com a sua cultura e com a memória coletiva.

É exatamente esta ligação que a equipa de rua IR+ procura valorizar nos territórios onde atua diariamente. Nos caminhos que percorremos, encontramos um património riquíssimo, pronto a ser descoberto e transformado em palco de aventuras para as novas gerações:

Um castelo deixa de ser apenas pedra quando é apresentado como palco de histórias. Imaginem o fascínio de uma criança ao explorar os túneis e as muralhas em estrela da Fortaleza de Valença, ao ouvir as lendas de fronteira no Castelo de Melgaço, ou ao passear pelos imponentes jardins do Palácio da Brejoeira, em Monção. Em Caminha, a Torre do Relógio desperta a imaginação para tempos medievais, enquanto em Cerveira, o Castelo convida a olhar o rio Minho com outros olhos. Uma rua antiga ganha vida quando se fala das pessoas que por lá passaram.

As oportunidades para despertar o sentido de pertença multiplicam-se ao longo do rio Lima e seus afluentes. Em Viana do Castelo, a imponência do Santuário de Santa Luzia ou as histórias de solidariedade no mar a bordo do Navio-Hospital Gil Eannes cativam qualquer idade. Atravessar a Ponte Romana e Medieval de Ponte de Lima, explorar a Ponte da Barca (que dá nome à vila), descobrir as táticas de defesa no Paço de Giela em Arcos de Valdevez, ou desvendar a herança da Igreja Românica de Rubiães em Paredes de Coura, são experiências que marcam e educam.
São esses momentos, muitas vezes partilhados em família, na escola ou na comunidade, que despertam a curiosidade e o sentido de pertença. Quando essa relação é cultivada desde cedo, cresce também o respeito. A criança aprende que os monumentos e sítios não são apenas “coisas antigas”, mas testemunhos que merecem ser preservados. Pelo contrário, quando não existe esse contacto ou valorização, o património pode tornar-se distante, indiferente, sem significado.

Celebrar este dia é, por isso, mais do que proteger edifícios ou paisagens — é reforçar a importância da educação e da sensibilização desde a infância. Porque preservar o património não começa na idade adulta, com grandes decisões. Começa nos pequenos olhares curiosos, nas perguntas simples e nas histórias que despertam interesse.

No fundo, cuidar dos monumentos e sítios é também cuidar da forma como ensinamos as novas gerações a ver o mundo. Porque aquilo que valorizamos enquanto adultos, quase sempre, começou a ser construído quando éramos crianças.

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