Sabia que… as desigualdades começam nos primeiros anos de vida?

05-06-2026 16:13 | 4 horas atrás
A pobreza vai muito além da falta de dinheiro e da pobreza de rendimentos, especialmente para as crianças. Segundo a UNICEF, a pobreza infantil acontece quando uma criança é privada das condições essenciais ao seu desenvolvimento e bem-estar, como alimentação adequada, cuidados de saúde, educação, habitação digna e oportunidades de participação social. Em Portugal, a pobreza infantil refere-se a crianças que vivem em agregados familiares cujo rendimento está abaixo de 60% do rendimento mediano nacional.

De acordo com a Fundação Francisco Manuel dos Santos, em 2024, a incidência da pobreza é mais elevada entre adolescentes dos 12 aos 17 anos (19,2%), representando cerca de 40% das crianças em situação de pobreza. Cerca de 25% destas crianças vivem em famílias monoparentais, sobretudo com mães solteiras, e mais de 20% vivem em famílias numerosas.

A pobreza infantil pode ter impactos profundos desde os primeiros anos de vida. Os chamados “primeiros 1000 dias” — desde a gravidez até aos dois anos de idade — são determinantes para o desenvolvimento físico, emocional e cognitivo da criança. É nesta fase que o cérebro se desenvolve e que experiências, mais ou menos positivas, podem deixar marcas duradouras. Percebemos que a pobreza infantil condiciona o desenvolvimento, abrindo caminho a desigualdades que se prolongam pela vida. Este fenómeno compromete o bem-estar das crianças, limita o seu potencial e perpetua desigualdades estruturais.

Quando uma criança cresce em contexto de pobreza, aumentam as dificuldades no acesso a uma alimentação adequada, limitações nos cuidados de saúde, habitação inadequada e menor acesso a ambientes seguros e estimulantes. A pressão económica sentida pelas famílias pode também gerar níveis elevados de stress e instabilidade, afetando as relações familiares e a qualidade das interações entre cuidadores e criança. Estes fatores podem comprometer o desenvolvimento emocional, a aprendizagem, a linguagem, a capacidade de concentração e até a saúde física e mental das crianças.

Falar de pobreza infantil é reconhecer que as desigualdades começam muito antes da vida adulta. Quando uma criança cresce sem acesso às condições básicas para se desenvolver de forma saudável, as consequências podem acompanhar todo o seu percurso de vida. Garantir apoio às famílias, proteção social e oportunidades iguais desde os primeiros anos não é apenas uma resposta à pobreza — é uma forma de promover desenvolvimento, saúde, inclusão e futuro.

Conteúdo elaborado com base em:
• Projeto “Portugal Desigual”, Fundação Francisco Manuel dos Santos.
• Pobreza Infantil em Portugal. Recomendações do projeto RESPUBLICA, PLANAPP.
• Pobreza Infantil, UNICEF.
• Final à Pobreza, OPP.
• Raízes para o futuro: os primeiros 1000 dias de vida, OPP.
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