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Sabia que a violência doméstica não só destrói famílias como também afasta milhares de mulheres do mercado de trabalho?

17-10-2025 15:43




A violência doméstica é um problema grave em Portugal que afeta profundamente a vida das mulheres, especialmente no que diz respeito ao mercado de trabalho. Muitas mulheres vítimas de violência doméstica são obrigadas a abandonar os seus empregos para garantir a sua segurança, o que compromete a sua independência financeira e agrava a sua vulnerabilidade social.

Apesar deste impacto, as empresas portuguesas ainda não estão devidamente preparadas para apoiar colaboradoras em situação de violência. A maioria das organizações não dispõe de políticas específicas para acolher vítimas, o que faz com que muitas mulheres sintam medo ou vergonha de revelar a sua situação, ficando isoladas e sem apoio no ambiente laboral. Além disso, a falta de formação dirigida a gestores e profissionais de recursos humanos dificulta a identificação de sinais de violência e a resposta adequada a faltas justificadas, pedidos de licença ou adaptações de horário, prejudicando ainda mais a estabilidade das vítimas no trabalho.

Embora a legislação preveja direitos importantes para mulheres em situação de violência doméstica, como a possibilidade de rescindir o contrato de trabalho sem aviso prévio e a manutenção do subsídio de desemprego, muitos destes direitos são desconhecidos pelas próprias vítimas. A burocracia e os processos complexos para aceder a apoios sociais, financeiros e legais criam barreiras que dificultam o acesso e a utilização desses recursos.

Entre janeiro e junho de 2025, foram registadas 18.396 denúncias de violência doméstica em Portugal, um aumento de 25,8% relativamente ao mesmo período do ano anterior, o que evidencia a urgência em desenvolver respostas mais eficazes para proteger estas mulheres e garantir ambientes de trabalho seguros e acolhedores.

Para romper este ciclo, é essencial que as empresas implementem políticas internas de proteção e apoio, promovam formação para gestores e recursos humanos, garantam confidencialidade e segurança para as vítimas e facilitem mecanismos flexíveis de conciliação entre a situação pessoal e profissional. Paralelamente, é necessário divulgar os direitos legais das vítimas e simplificar os processos de acesso a apoios, bem como fomentar a cooperação entre instituições públicas e privadas.

Somente com estas medidas integradas será possível assegurar que a violência doméstica não comprometa a autonomia económica das mulheres nem a sua permanência no mercado de trabalho.


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