Sabia que... a saúde mental das crianças e jovens é hoje uma das maiores preocupações em saúde pública?

22-05-2026 14:19 | 7 horas atrás
A Organização Mundial da Saúde e a UNICEF estimam que cerca de 1 em cada 7 adolescentes, entre os 10 e os 19 anos, possui o diagnóstico de uma perturbação de saúde mental. A evidência científica demonstra que muitos problemas de saúde mental têm início precoce, frequentemente durante a infância e a adolescência, podendo influenciar o bem-estar emocional, o desempenho escolar e as relações sociais ao longo do desenvolvimento.
O aumento das dificuldades emocionais entre crianças e jovens não deve ser entendido apenas como uma questão individual, mas também como o reflexo dos contextos em que crescem. Entre os fatores mais associados ao sofrimento psicológico destacam-se o stress familiar, a pressão académica, o bullying, a exposição constante às redes sociais, as experiências adversas na infância e a ausência de apoio emocional consistente. Quando estes fatores se acumulam, aumenta a probabilidade de surgirem sinais de alerta, como tristeza persistente, irritabilidade, isolamento, alterações no sono, perda de interesse pelas atividades habituais ou dificuldades de concentração. Muitas vezes, estes sinais passam despercebidos, sobretudo porque crianças e adolescentes nem sempre conseguem expressar claramente aquilo que sentem. Em vários casos, o sofrimento manifesta-se através de alterações no comportamento, no rendimento escolar ou até de queixas físicas sem causa médica identificável.
Importa também reconhecer que a saúde mental envolve igualmente a existência de fatores protetores, como relações seguras, rotinas estáveis, sentimentos de pertença, apoio emocional e oportunidades para desenvolver competências emocionais e sociais. Crianças e jovens que crescem em ambientes acolhedores, previsíveis e responsivos tendem a desenvolver maior resiliência perante os desafios da vida. Pelo contrário, contextos marcados por instabilidade, conflito ou negligência aumentam a vulnerabilidade psicológica.
A saúde mental na infância e na adolescência constitui, por isso, uma prioridade de saúde pública. As dificuldades emocionais nesta fase da vida podem prolongar-se até à idade adulta, afetando a qualidade de vida, a saúde física, o percurso escolar e a integração social. A evidência mostra, contudo, que a prevenção faz a diferença: quando famílias, escolas e serviços trabalham em conjunto, é possível promover o bem-estar, reduzir fatores de risco e apoiar de forma mais eficaz.

Fontes:
• Thiengo, D. L., Cavalcante, M. T., & Lovisi, G. M. (2014). Prevalência de transtornos mentais entre crianças e adolescentes e fatores associados: uma revisão sistemática. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, 63(4), 360–372.

• Widyasih, H., Yunita, S., Adnani, Q. E. S., Arisanti, N., Pandia, V., & Dhamayanti, M. (2025). A Scoping Review of Family-Based Prevention Strategies in Adolescent Mental Health. Psychology Research and Behavior Management, 18, 2429–2450.

•  United Nations,  1 in 7 children and teens impacted by mental health conditions

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