Sabia que a PHDA tem uma forte ligação familiar e genética, mas manifesta-se de forma muito diferente em rapazes e raparigas?

03-07-2026 16:04 | 5 horas atrás
Sabia que a PHDA tem uma forte ligação familiar e genética, mas manifesta-se de forma muito diferente em rapazes e raparigas?
A Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) é uma das condições neurobiológicas com maior carga hereditária conhecida pela ciência, apresentando uma taxa de herdabilidade estimada entre 60% e 90%. Isto significa que a transmissão de genes de pais para filhos é o fator principal para o seu desenvolvimento. Não existe um único "gene da PHDA", mas sim um conjunto de várias pequenas alterações genéticas que trabalham juntas. Elas afetam diretamente a forma como o cérebro processa substâncias químicas essenciais, como a dopamina, no córtex pré-frontal, que é a área responsável por nos ajudar a focar, a planear tarefas e a controlar os impulsos. É por isso que, de forma muito comum, quando uma criança recebe o diagnóstico, os pais ou os irmãos descobrem que partilham da mesma condição.
No entanto, ter estes genes não conta a história toda, pois a PHDA tem uma origem multifatorial. A genética cria a base, mas o ambiente pode funcionar como um gatilho. Situações como o nascimento prematuro, o baixo peso à nascença ou o consumo de tabaco e álcool durante a gravidez aumentam o risco de a condição se manifestar. É importante esclarecer que o ambiente familiar, o estilo de vida ou o stresse do dia a dia não provocam a PHDA, embora influenciem diretamente a intensidade com que os sintomas se manifestam e a forma como a pessoa se adapta à rotina.
Esta predisposição genética manifesta-se de formas diferentes consoante o género, o que faz com que as raparigas sejam diagnosticadas muito mais tarde. Enquanto os rapazes tendem a "externalizar" os sintomas através da agitação física e da impulsividade, as raparigas costumam "internalizar" as suas dificuldades. Por causa das expectativas sociais de bom comportamento, as raparigas esforçam-se frequentemente por esconder os sintomas (um fenómeno chamado masking), parecendo apenas distraídas ou caladas. Esta diferença subtil faz com que muitos rapazes sejam identificados logo na escola primária, enquanto muitas raparigas progridem na escolaridade a sofrer em silêncio de ansiedade, depressão e baixa autoestima antes de alguém perceber a verdadeira causa.
Para detetar os sinais precocemente na infância, é essencial saber o que procurar em cada perfil. Nos rapazes, os sinais são mais visíveis e incluem uma agitação motora constante (como a dificuldade extrema em manter-se sentado na sala de aula ou às refeições e mexer as mãos e os pés sem parar), comportamento disruptivo (interromper frequentemente os professores e os colegas, responder antes de as perguntas terminarem e ter dificuldade em esperar pela sua vez), falta de noção de perigo em atividades fisicamente arriscadas e reações explosivas devido a uma baixa tolerância à frustração. Por outro lado, nas raparigas, os sinais de alerta são mais silenciosos. Manifestam-se através do devaneio e distração constante (parecendo estar sempre a "sonhar acordada" ou "no seu próprio mundo"), hiperatividade verbal (falar excessivo e acelerado ou interromper os outros para falar de si mesma), um esforço desmedido nos trabalhos de casa com resultados escolares abaixo do seu potencial real devido às distrações constantes, e uma grande desorganização, esquecimento de recados ou perda frequente de objetos pessoais como casacos e material escolar. Compreender estas diferenças ajuda pais e professores a olhar além do estereótipo da criança irrequieta e a apoiar quem manifesta a perturbação de forma mais discreta.

Bibliografia
PHDA: Afinal, qual a sua origem? Uma revisãodos fatores etiológicos. | Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
Podem a hiperatividade e o défice de atenção trazer vantagens? | Partners in Neuroscience. 
Esclarecer e tratar a PHDA no consultório do médico de família | MedizinOnline. 
Como lidar com a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA)? | Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (HFF).
Como lidar com a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA)? | BIALive.
Existe teste genético para TDAH? A resposta curta é: ainda não! | Redetdahbrasil
PHDA: a doença da moda? | Hospital da Lapa. 
Partners in Neuroscience | In.neuroscience
Défice de Atenção | Trofa Saúde. 
PHDA: e se os pais não quiserem medicar? | PsicoMindCare.
Quais as causas do PHDA? | Som360 TDAH.

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