Sabia que a espiritualidade é um factor promotor de saúde e bem-estar? «A vida humana não é imune à adversidade. Todos os indivíduos enfrentam em algum momento da sua existência, situações de desamparo, de incapacidade e de falta de recursos (internos e externos) para lidar com eventos potencialmente nefastos. Perante as circunstâncias difíceis da sua vida, os sujeitos acionam um conjunto de recursos e estratégias que os ajudam a compreender e a lidar com essas situações críticas. No atual momento histórico, caracterizado pelas crises económica e social, a religião, enquanto elemento fundamental no sistema de orientação de muitos indivíduos, pode desempenhar um papel facilitador no confronto com as dificuldades.»
Neste contexto, a literatura e investigação têm vindo a atribuir significado ao coping religioso/espiritual (entendido como um conjunto alargado de respostas cognitivas, comportamentais e interpessoais, de base religiosa/espiritual, que pretendem dar resposta a eventos de vida com um cariz stressor), «realçando o seu potencial como mais uma ferramenta de adaptação e desenvolvimento psicológico, promotora de bem-estar e saúde física e mental, ao dispor dos indivíduos, principalmente em situações agudas de stress, onde a perceção de controlo é limitada»
A importância atribuída pelos sujeitos às suas crenças, práticas e experiências espirituais tem justificado o crescente estudo desta dimensão. Em várias sondagens sobre esta temática e em linha com resultados de outros países, verifica-se que 84% da população portuguesa refere que Deus é importante na sua vida (European Values Survey, 2011), e 73% afirma que a religião ocupa um lugar importante no seu quotidiano.
A maior importância atribuída pela investigação à espiritualidade do indivíduo tem permitido uma maior compreensão da forma como as crenças interferem ao nível da saúde e da aprendizagem de estratégias resilientes, revelando que a religiosidade e a espiritualidade podem estar associadas a uma maior resiliência em condições stressantes, situações de perda e, sobretudo, na velhice.
«De facto, a adaptação dos sujeitos à adversidade não ocorre no vazio, pois estes trazem para o processo de ajustamento um conjunto de recursos pessoais que os ajudam a gerir o seu quotidiano. Em momentos de stress, a espiritualidade (e as crenças, práticas, sentimentos e relações interpessoais a ela associadas), pode ser uma das formas de lidar com as crises» buscando um sentido que ajude a tornar o sofrimento mais suportável, reduzindo a carga emocional negativa que lhe está associada. Tanto a espiritualidade como os níveis de coping resiliente são influenciados pelas idiossincrasias dos indivíduos, nomeadamente ao nível da idade e do género, em diferentes fases do ciclo vital. «Através da espiritualidade, como fator promotor de resiliência psicológica, os indivíduos adotam uma perspetiva positiva do futuro, procuram novas formas de adaptação e recursos internos de superação, sobretudo, a população idosa.»
Fontes:
Margaça,C. (2015) Religiosidade e Espiritualidade como fatores promotores de Coping Resiliente na adultez e na velhice. Universidade da Beira Interior - Ciências Sociais e Humanas. Covilhã
Tomás, C. (2015) Estratégias de coping religiosos: a espiritualidade. Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes. Portimão
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