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o edifício do GAF era a casa da Dª Merícias?

13-07-2018 11:38



In Memoriam
Recordo-me, correndo o risco de alguma imprecisão cronológica e até factual, de por volta dos anos oitenta, acompanhar os meus pais numa visita à Dª. Merícias, senhora pertencente a uma família abastada e de pergaminhos com raízes em Ponte de Lima.
De trato afável e temente a Deus, mantinha com meus pais uma relação afetuosa, suspeito que forjada em contextos de igreja. Julgo que era viúva, sem filhos e que vivia com uma governanta na casa onde atualmente se situa o Gabinete de Atendimento à Família (GAF).

D. Merícias doou a casa à Ordem dos Carmelitas Descalços (OCD). Essa doação piedosa, cujos termos desconheço mas que presumo destinada a fins de caridade, permitiu à OCD, por finais dos anos noventa, celebrar um contrato de cedência graciosa por um período de 30 anos, renovável, para instalação do GAF.

A construção da casa deve remontar a inícios do século XX, obedecendo ao modelo de arquitetura da época: rés-do-chão destinado a adega e arrecadações, pisos superiores ocupados pelos proprietários e um sótão ou águas furtadas destinada à criadagem. Na sua traça, destacam-se algumas paredes pintadas com elementos decorativos, tetos ricamente trabalhados em estuque e vãos e pavimentos em madeira nobre envernizada ou lacada.

Se pelos finais dos anos noventa a casa, com pequenas obras de beneficiação e de adaptação serviu para instalar o GAF hoje, devido às exigências de ordem legal impostas às IPSS, nomeadamente no que concerne às acessibilidades, segurança e conforto, sofre de inúmeras limitações.
Atento a esta situação, a Direção do GAF obteve um financiamento da Câmara Municipal de Viana do Castelo para iniciar um processo de intervenção/reabilitação do edifício.

Esperamos que na celebração das suas bodas de prata, em 2019, o GAF já se apresente não só de “cara lavada” mas com instalações mais seguras e funcionais permitindo aos seus colaboradores espaços de trabalho mais confortáveis e melhor equipados para poderem continuar a dar resposta às necessidades daqueles que, desprovidos de recursos e estigmatizados pela sociedade, encontram no GAF um porto de abrigo, uma casa.
E como sugestão aproveite-se a efeméride para descerrar uma placa in memoriam de Dª. Merícias.

José Miguelote C. Monteiro
Secretário da Direção do GAF

Etiquetas: Sabia QueGAF2018

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