Apresentação

O Gabinete de Atendimento à Família (GAF) é uma Instituição de Solidariedade Social que ao longo destes 27 anos de intervenção sustentada, reconhecida nacional e internacionalmente, trabalha com e para a comunidade, realizando uma opção preferencial pelos excluídos, procurando devolver-lhes a dignidade de pessoa humana a que têm direito.

Desde a sua fundação, 24 de Maio de 1994, o GAF vem realizando anualmente este evento das Jornadas como uma oportunidade de reflexão e integração das suas práticas de intervenção comunitária, sob o olhar distanciado e sustentado de especialistas exteriores à instituição, que com os seus saberes, contribuem para intencionalizar e melhorar a qualidade das intervenções a desenvolver em contexto.

Cada ano, as jornadas focalizam-se numa temática específica dentro das várias áreas onde o GAF vem intervindo. Em 2020, estava prevista a dinamização do evento pela equipa das Adições: Equipa de Rua, sob o tema [IN]Dependências: dependências, álcool, contextos recreativos, jogo, …” Apesar de estarem convidados vários especialistas da área e ter sido divulgado o programa de atividades foi suspenso, de forma imprevisível, por razões do 1º confinamento.

Este ano 2021, face às restrições propostas pela DGS, para evitar aglomerados presenciais, optou-se por uma modalidade online: com 4 WEBINARS, com o título geral - "O hoje...a pensar no amanhã", estando definido o calendário e as temáticas a serem desenvolvidas por especialistas já confirmados (ver programa).

Face aos constrangimentos de estarmos impedidos de nos tocarmos, como solução remediativa alternativa surge a modalidade online, WEBINARS. Em tempo Pascal, como cristão comprometido, emerge nas minhas Memórias simbólicas o texto de Ev. de S. João, 20,17, que o Cristo Ressuscitado dirigiu a Maria Madalena quando o reconheceu como Ressuscitado, face à experiência do túmulo vazio: “Não me toques, porque ainda não subi para meu Pai …”. E continua: Vai comunicar aos meus irmãos que estou vivo … Maria Madalena foi imediatamente a transmitir a Boa Notícia aos discípulos de Jesus amedrontados: Vi o Senhor! Contando-lhes tudo o que Ele lhe dissera” (Jo. 20,18).

ELE continuará sempre presente na História, não o Jesus de carne e osso, mas como Ressuscitado que lança os discípulos no Anúncio Evangelho. “Mais que tocá-lo”, os discípulos devem tocar e comprometer-se na construção de uma cultura do AMOR que ELE inaugurou no dia de Páscoa.

Hoje, neste contexto problemático pandémico de coronavírus, em que somos bombardeados por prescrições normativas do Governo e da DGS para não nos tocarmos, nos isolarmos e mantermos distanciamentos, quero reafirmar a esperança de que o distanciamento físico com os nossos mais próximos venha a reforçar a intensidade das relações que nos ligam uns aos outros. Que estes tempos em que somos obrigados a não nos encontrarmos com muitos daqueles que amamos, nos proporcionem a oportunidade de reforçar vínculos de Amor, mobilizando-nos na construção de uma cultura mais solidária e fraterna (Zizek, 2020).

Termino com este desafio/questionamento pessoal, eclesial e social proposto recentemente pelo Papa Francisco na última encíclica/mensagem enviada ao mundo sobre: A fraternidade e a Amizade Social - Fratelli Tutti (2020): “A tribulação, a incerteza, o medo e a consciência dos próprios limites que estes tempos pandémicos despertaram, fazem ressoar o apelo a repensar os nosso estilos de vida, as nossa relações, a organização das nossas sociedades, as economias mundiais e sobretudo o sentido a conferirmos à nossa existência na abertura ao Amor fraterno” (nº33).

Assim, estes tempos de forte imprevisibilidade e inseguranças produzidas pela pandemia, com impactos incontornáveis na economia pessoal, familiar, nacional e internacional, espero que nos proporcionem oportunidades para analisarmos O Hoje para projetarmos o Amanhã descentrando-nos de interesses efémeros autocentrados e nos comprometermos na construção de uma História mais Solidária, Justa e Fraterna: a Missão configuradora do GAF ao longo destes 27 anos de serviço aos mais vulneráveis.

Pela Direção do GAF,
P. Carlos Gonçalves

Sinopse

“O hoje...a pensar no amanhã”

Hoje vivemos tempos de incertezas, de desafios, de crise… Carregados com as exigências de ontem, hoje procuramos formas eficazes de nos adaptarmos à crise, pensando nas exigências do amanhã.

“O hoje...a pensar no amanhã”… reproduzido em imagem!

E a inspiração?… o ladrilho!

Porquê o ladrilho?

O ladrilho foi (e é ainda em muitas casas) o revestimento do chão do hall de entrada... espaço que dá acesso ao interior – e confina – mas também tem a porta para o exterior – e desconfina!

Porque há 100 anos, altura em que vivíamos uma situação muito semelhante à atual, o ladrilho hidráulico estava “na moda”!

Ladrilho – módulo que se repete sequencialmente, ou aleatoriamente... E vários juntos (de modo a não ficarem espaços vazios entre si) formam um padrão onde o todo é mais do que a soma de cada uma das partes. Tal como cada indivíduo... cada família… cada grupo… cada um/a com as suas individualidades e um todo maior e mais complexo do que todas as partes!

Padrão que alinha e desalinha… As linhas geradas pelo ladrilho transportam-nos para a ideia de rede, sugerindo relações, interligações...mais ou menos (des)alinhadas!

Assim somos nós...assim somos todos/as!

Agenda

  • 7 Maio - 14h30

    As Crianças Vitimas de Violência Doméstica

    Ana Sani

  • 14 Maio - 18h

    Parentalidade de hoje
    (Re)aprender a viver num cenário de maior risco de burnout dos pais e de comportamento alterado das crianças...

    Filomena Gaspar

  • 21 Maio - 14h30

    Burnout no terceiro setor: Profissionais para tudo e para todos/as

    Ricardo Pocinho

  • 28 Maio - 18h

    Experiências de sexualidades e doença crónica

    Teresa Ventura

As Crianças Vitimas de Violência Doméstica

Sexta, 7 Maio | 14h30

Ana Sani

Perante a evidência do fenómeno da violência doméstica na vida das crianças, urge identificar os sinais, conhecer as dinâmicas e formas de vitimação, debatendo-se a par disso, o estatuto e o risco. Assumir um sentido de responsabilidade social pelo problema da vitimação de crianças no contexto doméstico implica estar ciente do impacto negativo dessa violência no desenvolvimento da criança, comprometer-se na avaliação cuidada do risco para a criança, na identificação das suas necessidades de proteção e apoio e na procura mecanismos e estratégias para fazer face ao problema. Estes são os objetivos centrais desta sessão, que abre as 27ª jornadas do GAF.

Parentalidade de hoje - (Re)aprender a viver num cenário de maior risco de burnout dos pais e de comportamento alterado das crianças...

Sexta, 14 Maio | 18h

Filomena Gaspar

Moderadora: Rosário Farmhouse

Num cenário social, económico e cultural ainda pautado pela incerteza do real impacto da pandemia COVID-19 procurar-se-á refletir sobre de que forma o confinamento em casa, o isolamento social, o encerramento das creches, jardins de infância e escolas associado ao teletrabalho e/ou ao "lay-off" vieram colocar novos desafios à parentalidade. Procurar-se-á compreender os fatores que dificultam ou protegem os pais e as mães a lidarem com o stresse resultante da necessidade de conciliarem múltiplas tarefas (funções parentais habituais, apoio ao ensino escolar em casa, trabalho em casa, aumento das horas despendidas em tarefas domésticas), numa situação de pós-confinamento que é nova e, para muitos pais, acompanhada de grandes desafios financeiros e da antecipação de dificuldades no futuro. De que forma estratégias de parentalidade e coparentalidade positivas (como é exemplo as promovidas no âmbito do Projeto Adélia - CNPDPCJ) podem ser um recurso para diminuir por um lado alterações emocionais e comportamentais das crianças e, por outro, promover o bem-estar emocional e sentido de competência parental.

Burnout no terceiro setor: Profissionais para tudo e para todos/as

Sexta, 21 Maio | 14h30

Ricardo Pocinho

Moderadora: Elisa de Mira

Quando falamos em terceiro setor, falamos de profissões de desgaste rápido. Os profissionais vivem em grande stress, tendo quase sempre em linha de conta os parcos recursos que normalmente as instituições possuem. Regra geral, as equipas não têm profissionais suficientes para as situações multidesafiantes do dia-a-dia. Muitas vezes é pedido ao profissional que faça mais, muito mais do que aquilo que lhes compete. São substituições inesperadas em caso de ausência de outro profissional (com maior impacto nos trabalhadores por turnos), que alteram e prejudicam as dinâmicas familiares. São os baixos salários, a inexistência de progressão na carreira e de um sistema de incentivos. Têm muitas vezes materiais obsoletos para o desempenho das suas funções, tudo isto, aliado à enorme vontade de ver resultados que muitas vezes tardam em aparecer. A versatilidade que se impõe, às vezes, muitas vezes, em grande parte das vezes, não é suficiente, e é aqui, que o profissional costuma pagar caro. O desgaste vai-se acumulando no corpo e na mente, e quando se dão conta, até a empatia pelo próximo, está comprometida , daí à redução da produtividade, é um pequeno passo, onde todos perdem, perde o cliente, perde a instituição e principalmente perde o profissional. Neste sentido, é premente identificar a síndrome de Burnout e desenvolver estratégias que permitam preveni-la.

Experiências de sexualidades e doença crónica

Sexta, 28 Maio | 18h

Teresa Ventura

Moderadora: Elisabete Valério

Um momento de reflexão e partilha de pressupostos teóricos e experiências de intervenção que permita explorar as implicações da doença crónica na vivência das sexualidades ao longo da vida; analisar os contributos das diferentes áreas do saber (psicologia, medicina e enfermagem) ao nível da promoção da abordagem das questões relativas à vivência da sexualidade quando há doença crónica; explorar quais os maiores constrangimentos sentidos pelos profissionais de saúde na abordagem da sexualidade ao longo da vida e perante a doença crónica; contribuir para o desmistificar do papel do profissional de saúde ao nível da promoção da vivência da sexualidade saudável ou satisfatória quer junto da pessoa portadora de doença crónica quer do parceiro/parceira/casal/família.

Acesso

Para aceder a todas as sessões, clique no link de Acesso Direto (ou utilize os Dados de Acesso).

Todas as sessões também serão transmitidas na página de facebook do GAF (facebook.com/gabineteatendimentofamilia).

Link acesso direto

https://us02web.zoom.us/j/81170738655?pwd=RjV6clFxdlpqMXpYRXFERDVyenl0dz09



Dados Acesso

ID Reunião: 811 7073 8655

Senha: 19942021

Contactos

GAF - Gabinete de Atendimento à Família
Rua da Bandeira, 342
4900-561 Viana do Castelo

Segunda a Sexta-Feira das 9h às 12h30 e 14h às 18h

tel +351 258 829 138

fax +351 258 811 313

geral@gaf.pt